Luis Borges - Assessoria em Gestão



"Eu não sabia": quem não controla não gerencia

Luis Antônio Borges*
Novembro/2005


A nação brasileira está sendo espectadora de um festival de denúncias, surpresas, escavações de fatos, apresentação de documentos, acareações e muito espaço na mídia. Tudo isso se enrola e desenrola na formação de um longo crepúsculo em cujo caminho aparecem furacões, tempestades tropicais, operações abafa e pizzas que se assam lentamente.

Se eu tomar emprestados os versos de Chico Buarque  e adaptá-los ao momento, eu poderia dizer que vai passar essa fase de nossa história, de tenebrosas transações. Mas até quando vamos esperar que se mude a vida e a postura perante a vida? Até quando continuaremos a bradar o discurso da ética, da transparência e da cidadania, sempre na esperança de que a prática seja um dos critérios da verdade?

Por que acontece tudo isso e logo aparecem as lideranças do país dizendo que Eu não sabia, e todos se blindando com argumentos abusivos em relação à inteligência de qualquer ser humano?

Imaginemos uma pessoa que seja empreendedora, mas que se utilize de um método consistente para gerenciar o seu negócio. Poderia ter ela tanto susto?
Ela poderia dizer que não sabia? Claro que não! Se ela tem método, obviamente ela controla, mede os seus resultados, sabe o que se passa em sua organização humana, seja ela uma empresa, uma escola, uma ONG, uma entidade ou mesmo um órgão público explícito. Planejar é pensar antes, e é da essência do método.
Não dá para se fazer as coisas duas vezes antes de pensar e é preciso saber que todos os atos trazem conseqüências.

Portanto dizer que eu não sabia não exime ninguém da responsabilidade que tem na gestão de qualquer negócio, ainda que seja por omissão, conveniência ou conivência.

E você, como está em relação ao controle das variáveis que impactam fortemente o seu negócio? Com que freqüência você faz as suas medições? Ou você vai me dizer que não sabia que deveria medi-las?

Medir para controlar e controlar para gerenciar são partes importantes nas boas práticas da gestão de qualquer negócio.

Reflita sobre isso! Se a sua prática ainda não é suficiente lembre-se que é possível despiorar, atingir o nível zero, manter, melhorar e inovar, sabendo-se que “do passo a passo se faz o caminho”. Mas é preciso querer e não abusar da inteligência das pessoas dizendo que eu não sabia. Para aprender talvez seja necessário cortar na própria carne e no próprio osso que a suporta, mas inclusive isso deve ser feito com método.



(*) Luis Antônio Borges, Engenheiro Mecânico, mestrado em Engenharia Sanitária e Ambiental, é especialista em Planejamento e Gestão Estratégica de Negócios, diretor, consultor e instrutor da Luis Borges - Assessoria em Gestão.
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